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sexta-feira, 20 de junho de 2014

FIM




Terminei de ler e adorei. Gostei principalmente do capítulo que fala do Sílvio. Sensacional!!



O livro focaliza a história de um grupo de cinco amigos cariocas. Eles rememoram as passagens marcantes de suas vidas: festas, casamentos, separações, manias, inibições, arrependimentos.
Álvaro vive sozinho, passa o tempo de médico em médico e não suporta a ex-mulher. Sílvio é um junkie que não larga os excessos de droga e sexo nem na velhice. Ribeiro é um rato de praia atlético que ganhou sobrevida sexual com o Viagra. Neto é o careta da turma, marido fiel até os últimos dias. E Ciro, o Don Juan invejado por todos - mas o primeiro a morrer, abatido por um câncer. 
São figuras muito diferentes, mas que partilham não apenas o fato de estar no extremo da vida, como também a limitação de horizontes. Sucesso na carreira, realização pessoal e serenidade estão fora de questão - ninguém parece ser capaz de colher, no fim das contas, mais do que um inventário de frustrações.
Ao redor deles pairam mulheres neuróticas, amargas, sedutoras, desencanadas, descartadas, conformadas. Paira também um padre em crise com a própria vocação e um séquito de tipos cariocas frutos da arguta capacidade de observação da autora.
Há graça, sexo, sol e praia nas páginas de Fim. Mas elas também são cheias de resignação e cobertas por uma tinta de melancolia. 
Humor sem superficialidade, lirismo sem cafonice, complexidade sem afetação, densidade sem chatice: de que mais precisa um romance para dizer a que veio?

domingo, 24 de abril de 2011

[alegria . triste]

Ele dormia
Ela olhou pra ele e não sentiu mais amor
Não sentiu desejo, nem carinho
Sentiu pena
Não só dele
Sentiu pena dela também
Dos dois
Da situação em que se meteram, sem nem saber como
De repente, os dois, já não eram os mesmos
E já não se queriam bem
A briga da última noite ainda estava presente em sua memória
Por que as pessoas falam coisas que não sentem?
E por que deixam de falar as coisas que sentem de verdade?
Palavras por dizer
Estava cansada dos jogos, das armadilhas
Estava cansada da vontade de ser outra pessoa
E viver outra vida

...
Ele acordou
Ficou observando-a, em silêncio
Gostaria de ficar olhando pra ela durante horas....
Ela disse que já era hora de ele ir embora, afinal aquilo era apenas uma perda de tempo
Ele não gostou de ouvir isso, mas não conseguiu argumentar
Ela tinha razão, infelizmente.
Banhou-se, tentando formar um discurso de como iria se despedir dela
E da vida que tiveram juntos
Ao sair, não a encontrou pelo apartamento
Apenas uma carta que dizia que ela não gostava de despedidas e que era melhor ele juntar as coisas e sair
Seria mais fácil?
Juntou suas roupas, dvds, cigarro, isqueiro e partiu

...
Ela voltou para o apartamento e ficou aliviada de não encontrá-lo ali
Na varanda, suspirou e sentiu uma alegria triste
Uma pena as coisas terminarem assim

Fernanda
24.04.11