Há duas semanas minha vida se resume basicamente a assistir ORANGE IS THE NEW BLACK!
Série do Netflix (melhor custo benefício do universo) lançada no ano passado, teve sua segunda temporada lançada esse ano e a temporada que vem já está confirmada (yes!!).
Orange Is the New Black é uma série americana de comédia dramática criada por Jenji Kohan1 e estreou na Netflix no dia 11 de Julho de 2013.2 A série, produzida pela Tilted Productions em associação com Lionsgate Television, é baseada no livro de Piper Kerman, Orange Is the New Black: My Year in a Women's Prison, que aborda sua experiência na prisão.
A série se desenvolve ao redor da história de Piper Chapman (Taylor Schilling), que mora em Nova York e é sentenciada a cumprir 15 meses numa prisão feminina federal por ter participado do transporte de uma mala de dinheiro proveniente do tráfico de drogas em favor para sua ex-namorada, Alex Vause (Laura Prepon), que é peça importante num cartel internacional de drogas. O delito ocorreu dez anos antes do início da série e, no decorrer desse período, Piper seguiu sua vida tranquila entre a classe média-alta de New York, ficando noiva de Larry Bloom (Jason Biggs). Quando presa, Piper reencontra Alex (que menciona Piper em seu julgamento, causando sua prisão): elas reanalisam seu relacionamento e lidam com suas companheiras de prisão. Ao final da segunda temporada, resta a Piper o cumprimento de 8 meses de sua sentença.
Sábado estava de bobeira aqui em casa e aí numa rápida fuçada no Netflix dei de cara com o filme argentino "Medianeras", que fala sobre as relações com a chegada da internet em Buenos Aires.
Crítica: Medianeras - Buenos Aires da Era do Amor Virtual (Medianeras, 2011)
Baseado no curta-metragem de mesmo nome, e tendo o mesmo diretor, Gustavo Taretto, "Medianeras" é um filme argentino e participou na Mostra Competitiva no Festival de Gramado em 2011, no qual venceu os prêmios de Melhor Diretor e Melhor Filme Estrangeiro. O longa é um retrato moderno sobre como as pessoas se relacionam na era digital e como as tecnologias e até mesmo a arquitetura de uma grande cidade são responsáveis por nossa constante solidão.
por Fernando Labanca
Entre construções mal elaboradas de Buenos Aires vive Martin (Javier Drolas), um web designer que trabalha em casa e que fora abandonado pela namorada, tem fobia a tudo e por isso não sai de seu apartamento. Ele acredita que os males da sociedade estão diretamente vinculados à arquitetura da cidade, mal planejada, que cresce sem lógica, que nos separa e como consequência nasce esses indivíduos isolados, nasce a violência, a falta do desejo, a falta da comunicação, a depressão e até mesmo o suicídio. Sem saber, porém, no prédio ao lado, mora Mariana (Pilar López de Ayala), uma arquiteta, que após o término do curso não conseguiu engrenar na profissão, hoje é vitrinista e tem depressão, passa suas horas em frente seu Mac, assim como Martin. E esta mesma cidade que os separa, será também aquela que os une, e entre constantes desencontros, o irônico destino dos dois fará de tudo para colocá-los frente a frente.
É quase que impossível ver "Medianeras" e não se sentir representado, pelo menos por algum diálogo, um personagem, um momento, algo que remeta rapidamente a nossa própria vida, é daqueles filmes que falam muito mais sobre nós do que gostaríamos de admitir. Duas pessoas com coração partido, vivendo na triste rotina diante de um computador, onde a internet os possibilitou conhecer o universo e a cada dia a mais é como se esquecessem como é realmente a vida, trancafiados no apartamento, prisioneiros de uma cultura que o próprio filme denominou de "a cultura do inquilino", a cultura do desapego, do desafeto. Sozinhos. Sozinhos neste mundo tão repleto de gente, de opções, a solidão que surgiu como consequência de um mundo cada vez mais tecnológico, mais necessitado de ações rápidas e fáceis, a internet que nos conecta ao mundo e nos afasta da vida. Ver Martin e Mariana na tela é um reflexo nítido da nossa atual existência, denunciam de forma realista (e poética) o triste modo como vivemos.
Duas pessoas assustadoramente normais, como eu, você, nosso vizinho. A trajetória desses dois personagens ganham nossa atenção e afeição facilmente, Martin que tem fobia a tudo, inclusive de contato humano, Mariana que tem uma grande dificuldade em se relacionar com outras pessoas e vive com a frustração de uma carreira fracassada, perdendo seu tempo que não é nada precioso, lendo as páginas de "Onde Está Wally?" e se frusta ainda mais por nunca conseguir encontrá-lo, que segundo ela, reflete em sua própria solidão, como irá encontrar alguém se não sabe onde e nem como? Os atores são ótimos, são apenas os dois que carregam o filme, trazem verdade a estes questionamentos e como é delicioso vê-los em cena, sofrendo com eles, é tão óbvio que foram feitos um para o outro e por isso ficamos vidrados no filme a espera do momento em que enfim se conheceriam, pouquíssimas obras de romance possuem este milagre, de fazer o público torcer, de não conseguir imaginar a vida daqueles personagens sozinhos, não querer acreditar que exista a possibilidade de que não fiquem juntos.
Medianera é, mais precisamente, aquele lado dos edifícios que não servem de nada, ocupado muitas vezes por propaganda, uma parede lisa, sem janelas. É interessante, então, quando os personagens decidem quebrar parte desta medianera, abrindo um buraco ilegal, mas que de certa forma, lhes devolve a luz que faltava em suas vidas, dando esperança à trama que até este momento era melancólica. "Medianeras" de Gustavo Taretto é um marco do cinema contemporâneo argentino, a prova do quão bom é o cinema deste país, capaz de tocar os corações mais insensíveis, numa história de amor tratada com bastante humor e delicadeza, um roteiro que trás grandes discussões numa trama realista e complexa, tida na cidade de Buenos Aires, mas que poderia ser qualquer outra, contando a trajetória de Martin e Mariana que poderia ser a de qualquer um de nós. Sensível e sutilmente emocionante, extremamente simples e também extremamente inteligente. Recomendo.
No último post, a respeito do livro: As Mulheres de Terça-Feira, cometi um erro ao escrever que se tratava de peregrinação no caminho de Santiago, o correto é caminho de Lourdes.
Filme baseado no livro de Jon Krakauer que conta a história das viagens feitas por Christopher McCandless, jovem americando que ao terminar a faculdade doa todo seu dinheiro a uma instituição de caridade e parte em busca de uma experiência na natureza selvagem, sem dinheiro nem companhia.
A história é contada de forma não linear, mostrando alguns trechos de suas viagens, pelo sul até a esperada chegada ao Alasca, as pessoas que ele foi conhecendo no caminho e os motivos que o fizeram tomar essa decisão de viajar e viver de maneira não convencional.
Dirigido por Sean Penn e com trilha sonora toda feita pelo Eddie Vedder (que se encaixa perfeitamente a história), o filme é muito interessante e durante o tempo todo fiquei pensando: Que vontade de fazer a mesma coisa! No fim, fiquei sabendo que foi um filme baseado em uma história real, com a foto do verdadeiro Christopher McCandless encostado no "ônibus mágico", o que torna o filme ainda mais especial.
O verdadeiro Christopher McCandless
Mais do que uma história de um jovem que não se encaixava e nem aceitava o estilo de vida "convencional" da sociedade, o filme conta a história de um jovem que teve coragem de viver da maneira que achava mais correta. Sem hipocrisia, dinheiro ou luxos materiais. Um jovem que escolheu a simplicidade como forma de vida.
Super recomendado. Pra aqueles que assinam, está disponível no netflix.